Ceviu

Um dos maiores portais de emprego do Brasil, o CEVIU teve um começo modesto e corrido.

Hesitei muito tempo pra voltar a apresentar o CEVIU no meu portifólio. Em parte, sempre entendi que o trabalho ficara incompleto. Há muitos anos, quando o site deixava de ser uma lista de discussão do pessoal da Computação, Adriano Dalcin e eu conversávamos madrugada adentro e montávamos planos. De manhã, tendo levantado pra executar o que pensávamos, meu trabalho já tinha sido atropelado e Adriano já tinha “quebrado o galho”. Uma vez, cheguei a receber o sinal verde, acionei fotógrafo, planejei o tempo de exibição da campanha e, enquanto finalizava, algo já tinha sido acochambrado pra substituir a campanha.

Com o tempo, o que houve foi que nos deixamos de lado. A identidade, contudo, continua firme e forte e mesmo o jargão da assinatura, levemente alterado, ainda preserva a ideia central do meu “Conectando talentos”.

O projeto

Já são muitos anos desde os primeiros rabiscos. Me lembro do nome curioso da lista de distribuição de emails, que remetia mesmo à ideia da pergunta “Cê viu?”, refererindo-se a vagas e oportunidades. A ideia de Visão saltava logo à cabeça. Os olhos apareceram cedo nos rabiscos e, por fim, alcançamos o desenho atual. Embora, sugira um olho, o desenho trata de dois lados – empregadores e candidatos – que se encontram num ponto de contato, um lugar na web feito especialmente pra isso.

acombê | Parte 2

Alguns anos mais tarde, eu fui convidado a participar de novo. Se os recursos se voltaram contra o projeto, ao menos eu tinha conseguido alcançar a alma dele pra comunicar a sua verdade. Eu sabia dizer o que o acombê tinha pra dizer. Eu o tinha entendido como ninguém – como diria a própria idealizadora, Lisandra Schaper Caldeira. Eu hesitei e refutei o convite algumas vezes. E então eu blefei.

Dessa vez, os prazos eram, de novo, mínimos. Eu é quem tinha menos pressa. Queria organizar, conceituar, administrar pra não sair dando tiros a esmo. Nisso, o meu retorno ao acombê acabou produzindo textos mais sólidos e mais concisos, com peças mais simples. Meu interesse era explicar o que eu tinha entendido tão bem produzindo um discurso coeso. Eu precisava, na verdade, gerar legado: se minha passagem fôsse novamente breve, haveria de deixar algo pra que o projeto seguisse.

O acombê tinha mudado nesse tempo. Era menos as pessoas e mais o entorno: produtos limpos, sustentáveis, reaproveitamento. Melhor ainda: o acombê passou a pregar o equilibrio entre a sociedade e o meio-ambiente. Tornou-se até mais seletivo, algo para adeptos.

Foi um “segundo tempo” de verificar conceitos: não era mais a intenção da marca promover vendas. O que procurei fazer foi transformar o acombê numa prática saudável. Você pode dirigir até o trabalho; mas pode pedalar ou caminhar, evitar o trânsito e ainda manter a forma. O acombê virou uma nova escolha para um mundo melhor.

acombê | Parte 1

Essa é uma boa história. Muito boa.

Me envolvi com o acombê pela primeira vez em 2010, a convite do grande Daniel Sampaio. Foi uma surpresa muito boa ter sido convidado, e acho que isso foi uma motivação extra. Na primeira reunião, terça-feira, sou informado de que o site deve estar no ar na sexta daquela mesma semana. Eu devo ter rido.

Falei das dificuldades e sugeri uma campanha de antecipação. A sugestão foi acatada, mas nenhuma alteração foi feita no prazo. Saí tenso e empolgado, mas pensando que então teria de fazer algo com cara de 4 dias. Montei na moto e pensei numa canção. E então o resto seguiu. Não era muito: faltava um “call to action”, como alguém bem avaliou, mas o sentimento tava no lugar certo.

Duas coisas eram fundamentais no trabalho: o acombê era algo pra unir pessoas – vendedores e consumidores se encontra(ria)m através de blogueiros que indicavam os produtos. Também era importante mostrar que todo produto era especial.  Criar uma loja e apresentar algo no acombê era uma maneira de dar o valor que os produtos mereciam.

“O que você quer alcançar?” era pros vendedores, sobretudo os pequenos, que sonhavam com um comércio na internet fácil, pro consumidores, que queriam encontrar coisas diferentes, inusitadas, repletas de histórias, e pra blogueiros, que se esforçam tanto pra ter relevância, pra dar uma opinião. Também era uma provocação pra quem tava nas redes sociais à-toa. Algo como “vamo fazer alguma coisa?”

Por causa disso, em seguida, eu resolvi destacar os personagens que vendiam. Valorizar os produtos. Tratar sonhos como planos de negócios, tarefas caseiras de produção como importantes atividades gerenciais. Ou falar de sonhos, de quão longe cada empreendedor queria ir. Ganhei mais tempo até o lançamento do site – que tinha muitos problemas anteriores vindos do fornecedor anterior – e comecei a gerar algum engajamento de verdade pelas mídias sociais.

Os vídeos têm essa cara informal. Um pouco foi intencional, um pouco foi falta de tempo. A ideia era mesmo vídeo caseiro, a verdade de negócios simples.

Algum tempo depois disso, o projeto passou por dificuldades. Os tempos ficaram ainda mais curtos, as responsabilidades sextuplicaram e o dia ficou muito curto. Eventualmente, eu tive que partir, deixando um monte de textos, de propostas de planejamento estratégico, de estudos de caso de uso de website novo, ideias para concursos que incentivassem o “crowdsourcing content”, apresentações para investidores…

Enfim, nada que salvasse uma startup sem recursos.